Rugby vs. Futebol
Lembro-me de na minha adolescência adorar ver o torneio das 5 Nações e, sábados à tarde na RTP2, que era apenas ou outro canal de televisão existente, não perdia todas as emoções dos jogos entre Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda e França.
Fui mantendo uma certa aproximação a este “estranho” desporto, incompreendido por uns e amado por outros. Este amor ao Rugby tem agora mais um dos seus pontos mais altos de sempre, devido ao mundial 2011 (Rugby World Cup 2011) que ocorre na Nova Zelândia, onde a paixão pelo desporto é tão intensa que é normal estarmos a discutir a formação e formas jogar com a empregada da limpeza. Esta observação não é minha, apenas sou um mero adepto, mas de um antigo jogar dos All Blacks.
Não gostar de Rugby é compreensível, mais pelo desconhecimento das regras do jogo do que acreditar que é um desporto violento.
O Rugby é encarado pelos jogadores, antes do início de um desafio, como um batalha campal e depois desenvolve-se apenas como um jogo. O Futebol é encarado como um desafio e por vezes acaba em batalha campal. Túneis, cargas sobre adeptos nas bancadas e, particularmente na América Latina, autênticas cenas de pancadaria entre jogadores, treinadores e dirigentes.
No Rugby existe fair-play. No Futebol gasta-se milhões em campanhas publicitárias a tentar promover o fair-play.
O Rugby evoluí com os tempos e com a nossa sociedade, conseguiu fazer uso das tecnologias que o torna um desporto mais mediático mas sobretudo mais justo.
No Rugby o árbitro é um interveniente de pleno direito do jogo. As suas decisões são ouvidas, através da instalação sonora do estádio, por todos os espetadores. Em situações dúbias é pedida a intervenção do vídeo-arbitro que verifica através de imagens televisivas a legalidade de uma jogada. Tudo isto em 5 a 10 segundos!
No Futebol o árbitro é visto com desconfiança, como sendo tendencioso e muitas vezes considerado incompetente. As imagens televisivas são analisadas posteriormente, por 3 ou 4 comentadores que não conseguem abstrair-se da respetiva clubite, gerando debates a roçar a má-educação, sem qualquer contributo para o desporto que amam. Também os lançes de bom futebol, de grandes golos, de jogadores virtuosos, passam para um segundo plano pois é mais fácil “chingar” o árbitro.
Ainda o árbitro. No Rugby muitas vezes o juiz da partida (um termo do futebol) chama um dos capitães e avisa que a equipa está a cometer muitas faltas, que não tolerará mais esta atitude. É uma postura pedagógica. Ninguém reclama pois nem o capitão de equipa pode dirigir a palavra ao árbitro. Valerá a pena falar no que se passa no Futebol?
No Rubgy uma jogada mais viril por parte de um jogador é castigada, para além de uma penalidade, com uma saída de campo (sin-bin) durante 10 minutos, ficando a sua equipa reduzida a menos um jogador de campo. Imaginem o que o Futebol teria a ganhar com esta regra!
No Rugby temos 80 minutos de jogo. Sim, de jogo. E este apenas termina quando a bola (oval) sair do retângulo de jogo, podendo o desafio ter bastantes mais minutos.
No Futebol temos 90 minutos mais uns extras. Mas ao vermos a estatística de tempo jogado temos, nos bons desafios, 50 a 60 minutos efetivos em que a bola e os jogadores dão o seu melhor. No Rugby todas as paragens forçam a paragem do tempo de jogo.
O Rugby teve um papel histórico numa nação que ameaçava desagregar-se. Foi em torno deste desporto que Nelson Mandela manteve a unidade da África do Sul. Esta realidade, sem elementos adicionais de ficção, pode ser vista no filme Invictus (2009) realizado por Clint Eastwood.
Como alguém disse:
O Rugby é um jogo de brutos jogado por cavalheiros. O Futebol é um jogo de cavalheiros jogado por brutos.
PS: eu gosto de futebol mas quanto mais vejo Futebol mais gosto de Rugby.

